Em uma rotina marcada por excesso de estímulos, cobranças, telas e informações, manter a mente focada sem permanecer constantemente em estado de tensão pode ser um desafio.  É justamente nesse cenário que a L-Teanina vem despertando interesse científico.  Encontrada naturalmente principalmente nas folhas da Camellia sinensis, planta utilizada na produção dos chás verde, preto, branco e oolong, a L-Teanina é um aminoácido não proteico que tem sido investigado por seus possíveis efeitos sobre relaxamento, resposta ao estresse, qualidade do sono, atenção e desempenho cognitivo.  E o interesse não vem apenas da popularidade dos suplementos. Ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas já avaliaram seus efeitos em humanos. O que é a L-Teanina? A L-Teanina é um aminoácido presente naturalmente no chá, especialmente no chá verde. Diferentemente de substâncias estimulantes, seu interesse está relacionado principalmente à capacidade de influenciar processos envolvidos no funcionamento cerebral sem necessariamente provocar sedação.  Uma das hipóteses estudadas envolve a modulação da atividade cerebral e de sistemas relacionados a neurotransmissores. Estudos também investigam alterações nas chamadas ondas alfa, um padrão de atividade cerebral associado a estados de relaxamento e atenção.  Por isso, uma maneira simples de compreender o interesse pela L-Teanina é pensar em um estado de “calma com atenção”: reduzir parte da tensão sem necessariamente diminuir a capacidade de concentração. 1. L-Teanina e resposta ao estresse O efeito da L-Teanina sobre o estresse é uma das áreas mais investigadas.  Em um ensaio clínico randomizado, triplo-cego, controlado por placebo e cruzado, adultos saudáveis moderadamente estressados receberam uma dose única de 200 mg de L-Teanina antes de serem submetidos a uma situação experimental de estresse.  Os pesquisadores observaram aumento da atividade de ondas alfa em determinadas regiões cerebrais e maior redução do cortisol salivar em comparação ao placebo em um dos momentos avaliados. Esses resultados são compatíveis com um possível efeito sobre a resposta de relaxamento diante de um estressor. (PubMed)  Outro estudo randomizado avaliou adultos saudáveis durante quatro semanas. Os participantes receberam 200 mg de L-Teanina por dia ou placebo. Após o período de suplementação, foram observadas mudanças favoráveis em alguns indicadores relacionados ao estresse, ansiedade e qualidade do sono. (PubMed)  É importante, entretanto, colocar esses resultados em perspectiva. Uma meta análise publicada em 2026, reunindo 31 ensaios clínicos randomizados e 1.168 participantes, encontrou efeito apenas modesto sobre o estresse agudo, com parte desse resultado influenciada por estudos com maior risco de viés. Portanto, a evidência é promissora, mas ainda não permite tratar a L-Teanina como tratamento para transtornos relacionados ao estresse ou à ansiedade. (PubMed) 2. Relaxamento sem necessariamente causar sonolência Uma característica interessante da L-Teanina é que relaxamento e sedação não são exatamente a mesma coisa.  O objetivo estudado não é simplesmente “desligar” o cérebro, mas favorecer um estado mental potencialmente mais tranquilo enquanto a pessoa permanece funcional e atenta.  Pesquisas utilizando eletroencefalografia encontraram alterações na atividade alfa após a ingestão de L-Teanina. Esse tipo de atividade cerebral costuma ser associado a um estado de relaxamento desperto. (PubMed)  Essa característica ajuda a explicar por que a L-Teanina é investigada tanto no contexto do estresse quanto no desempenho cognitivo. 3. Atenção, foco e desempenho cognitivo Uma das evidências mais interessantes sobre a L-Teanina está relacionada à atenção.  Um estudo duplo-cego e controlado por placebo avaliou doses de 100, 200 e 400 mg em adultos jovens. Os pesquisadores encontraram melhora significativa em determinados testes simples de tempo de reação após 100 e 200 mg, embora os benefícios não tenham aparecido de maneira consistente em tarefas  cognitivas mais complexas. (PubMed)  Esse detalhe é importante: dizer que a L-Teanina “melhora toda a cognição” seria uma simplificação exagerada. Os resultados parecem depender da dose, do tipo de tarefa e da população estudada.  Uma meta-análise de 2026 trouxe uma visão mais ampla. Ao analisar 31 ensaios clínicos randomizados, os pesquisadores encontraram que uma dose única de  200 mg, administrada aproximadamente 30 a 60 minutos antes dos testes, apresentou benefício significativo sobre o tempo de reação de escolha, um indicador relacionado à atenção. Os autores classificaram o benefício de curto prazo sobre a atenção em adultos saudáveis como um dos achados mais consistentes da revisão. (PubMed) 4. L-Teanina e qualidade do sono À primeira vista pode parecer contraditório que uma substância estudada para atenção também seja investigada para o sono.  Mas existe uma diferença importante entre induzir sono diretamente e  favorecer condições para um sono de melhor qualidade.  Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2025 reuniu 19 estudos, totalizando 897 participantes. Os pesquisadores encontraram melhora significativa em parâmetros subjetivos como:  • tempo percebido para adormecer;  • funcionamento durante o dia;  • qualidade subjetiva global do sono. (PubMed)  Outra revisão sistemática identificou 13 estudos envolvendo L-Teanina isolada e concluiu que doses entre 200 e 450 mg/dia apresentaram resultados favoráveis em diferentes medidas relacionadas ao sono em adultos. Os autores, porém, ressaltaram a necessidade de estudos maiores, especialmente utilizando avaliações objetivas do sono e investigando pessoas com insônia clínica. (PubMed)  Portanto, as evidências atuais são interessantes principalmente para suporte à qualidade do sono, e não para apresentar a L-Teanina como medicamento para insônia. O que as evidências científicas mostram até agora? Quando observamos o conjunto das pesquisas, a L-Teanina apresenta um cenário científico interessante.  Os resultados mais consistentes estão relacionados principalmente à atenção de curto prazo, enquanto existem evidências promissoras para relaxamento, resposta ao estresse e qualidade do sono. Para ansiedade e outros desfechos relacionados à saúde mental, os resultados ainda são mais heterogêneos e precisam de confirmação em estudos maiores. (PubMed)  Essa distinção é importante porque ciência não funciona apenas perguntando se determinado ingrediente “funciona ou não”. É necessário avaliar para qual objetivo, em qual população, em qual dose e com qual nível de evidência. Quais são as principais vantagens estudadas da L-Teanina? Considerando as pesquisas disponíveis, a L-Teanina chama atenção por reunir diferentes características em um mesmo ingrediente:  • potencial suporte ao relaxamento sem necessariamente provocar sedação; • possível auxílio na resposta ao estresse;  • evidências favoráveis em determinadas medidas de atenção e tempo de reação; • possibilidade de associação com